Love,peace and breathe |
• Graduanda em Direito e Economia. Concursista do Itamaraty, fã do John Mayer e fangirl do McFLY. Não tenho signo e nem paciência pra isso. Se minha vida virasse livro, seria escrito por Marian Keyes. |
Uma vez, li que o universo tem uma regra:criar e ao mesmo tempo se desfazer das coisas.
Não por acaso, essa frase saiu de um dos livros mais fantásticos que já conheci. E embora esse fato seja relevante, é muito injusto pensar que o universo tenha decido se desfazer de você.
Engraçado que para o mundo você tenha sido só mais uma pessoa. Estranho que nenhuma parcela significativa da população mundial tenha se revoltado com sua ausência. Deve ser por esse motivo que, nas primeiras noites, senti uma saudade equivalente ao mundo inteiro.
Mas, ainda que eu já tenha escrito diversas vezes sobre sua partida e o quanto ela me machucou, no final das contas só queria dizer que te amo. Naquele mesmo tom engraçado que a gente usava e com mesma intensidade que eu repetia toda noite antes de dormir.
E eu gosto de imaginar que isso não é o seu fim. Porque eu me recuso a te tratar como o mundo inteiro te trata: uma estatística.
Gosto de pensar na sua partida como a letra da música Paradise, do Coldplay. Como se um belo dia você tivesse cansada desse mundo e tivesse decidido se divertir no céu .
Talvez você não tenha deixado de existir, afinal.
Somente fechou os olhos e sonhou com o paraíso.
Gosto de todas as tonalidades de azul, da mecânica dos aviões, das produções do Tim Burton - com exceção de Pee Wee -, jogar simuladores de vôo e aprender novos idiomas. Quero viajar e preencher todas as folhas do passaporte.
Além disso, gosto de me inspirar em algumas pessoas e no que elas fizeram de mais grandioso.
Amelia Earhart é uma dessas fontes de inspiração, meu modelo de comportamento favorito.
Costumo classificar o John Mayer como músico predileto, mas isso nunca parece ser suficiente pra expressar tamanha admiração. Pra mim ele é a definição mais exata pra um “artista completo”.
Já quis ser elegante como Jackie Kennedy, e enquanto não consigo, permaneço tentando.
Também continuo me esforçando para saber pronunciar certas palavras no espanhol com perfeição, sem confundir com a fonética do francês ou do inglês.
Mas, cá entre nós, sinceramente nada disso faria sentido se eu não tivesse um objetivo maior.
Eu tenho um sonho. J’ai fait un rêve. Yo tengo un sueño. I have a dream.
As pessoas tentam me convencer a frequentar uma igreja, encontrar a religião certa pra mim. Alguns até dizem que pra ir em uma igreja não é necessário ter crença firmada. No entanto, não me parece coerente frequentar um lugar que você não pertença de forma completa. Porque, nesse caso, nada fará diferença.
Eu espero estar bem errada,mas não me sinto preparada pra ser frequentadora de igrejas. De igual modo, espero que Deus não fique magoado comigo, já que não pretendo me integrar à uma comunidade religiosa de maneira forçada. Quero ir quando pensar que aquilo é bom pra mim,quando tiver certeza de que é o certo. Quero que seja natural, uma busca sem pressões.
Há uma mensagem, atribuída ao John Lennon, cujo conteúdo é divulgado de duas formas: “O grau de seu desespero é proporcional ao quanto você acredita em Deus” ou “Deus é um conceito pelo qual medimos o nosso sofrimento.”
Essa ideia nunca saiu da minha cabeça. Parece que toda vez que eu recorro a Deus, é pré-requisito estar desesperada. Sinceramente, não quero encontrá-lo através do medo ou do desespero.
Então se Deus me conhece, Ele entende meus motivos de não ir procurá-lo. E como é sempre compreensivo, não vai se sentir contrariado.
Aliás, é interessante pensar que Deus também aceita aqueles que vivem fora da Igreja. E encare isso apenas como uma opção, não como uma desobediência.
Ando muito racional ultimamente, olhando as coisas sob uma perspectiva técnica. Confesso, me sinto despreparada pra jogar tudo nas mãos de Deus.Gosto de pensar que tenho o controle da minha vida, já que não posso dizer o mesmo sobre os meus problemas. Ao contrário do que a igreja diz, tento imaginar que Deus não fica me vigiando e observando tudo que faço pra me “punir” depois ou me dar bençãos.
Só tento acreditar que Deus nos deixa livre pra ser o que quisermos, independente do que a gente pensa ou faz.
Tenho esperanças de que adiante terei o aprofundamento espiritual necessário pra aceitar a intervenção divina, ou pelo menos ver as coisas desse modo. Por enquanto, minha pirâmide de prioridades tá bagunçada.
Espero ter sabedoria, um dia, pra entender Deus como Ele merece ser entendido.
Fala-se muito em justiça, céu e inferno. Entretanto, peço permissão aos religiosos pra defender meu ponto de vista. Porque há uma probabilidade muito grande de que esses conceitos não existam.Talvez o pior esteja dentro da gente mesmo. Talvez a gente seja nosso próprio céu ou nosso próprio inferno.
No seriado Dexter, muitas vezes o protagonista utiliza um termo chamado “passageiro sombrio” pra designar suas más condutas. Não desejo, de nenhuma forma, ofender ninguém, e desde já me desculpo se isto soar evasivo, todavia, ao que tudo indica, cada ser humano tem seu passageiro sombrio. Coisas das quais não se orgulha. É uma condição pra existir.
Infelizmente, parece comodidade esperar que Deus ou outra figura divina de sua preferência - sobre o qual manifesto meu sincero respeito - num passe de mágica mande todos os seus problemas embora. Além disso, é falta de responsabilidade esperarmos que alguém faça as coisas por nós.
Acredito que a gente precisa ser nossos próprios pontos de apoio. E a partir daí que começaremos a compreender o mundo e as situações.
Houve um tempo em que os médicos ficaram otimistas. Ela ultrapassara a expectativa de vida designada pela doença.
Nunca havia observado a vida sob essas condições, como se o relógio fosse nosso pior inimigo. Volta e meia olhava pro calendário e me perguntava se ela ainda estaria comigo no dia do meu aniversário. Mas toda vez que era obrigada a considerar uma hipótese negativa, caia em prantos.
Os meses se passaram, ela lutou o quanto seu corpo permitiu. Nos despedimos em uma tarde quente de verão, pouco depois do horário de almoço. Prometi que me esforçaria pra ser um humano melhor e, quem sabe, a deixasse orgulhosa algum dia. Ela me fitou com os olhos esperançosos, pelos quais pude perceber que também dóia nela ter que partir tão depressa. Devolvi seu carinho sob a forma de uma prece silenciosa, pedindo a quem coubesse que cuidasse dela quando eu não estivesse mais por perto.
Chorei muito no decorrer das horas. Sabia que ela partiria em breve. Não havia mais chances de melhora. Stop crying your heart out, pedia a canção do Oasis que escutei repetidas vezes naquele dia. Adaptei os versos da música de forma que obtive o seguinte aprendizado: minha mãe era uma estrela que estava desaparecendo na Terra para ressurgir mais estonteante no céu. Porque, de fato, estrelas não vivem próximo ao chão.
O que vem a seguir pode ser lido conforme sua maneira de enxergar a vida.
Se você acredita que continuamos vivendo depois de morrer, lhes digo que ela despertou no céu, do lado de seus pais. Sei que ela abraçou meu tio, pessoa de quem tanto sentia falta, e seu coração bateu agradecido, fazendo-a se sentir completa.
Caso siga alguma religião que exija a leitura bíblica, acrescento a ideia de que Jesus a recebeu de braços abertos, atendendo a todas as minhas preces, passando a partir de então a cuidar do meu tesouro mais precioso, o qual só confiaria à ELE.
Ou se pelo menos alguma vez já leu Harry Potter e lembra da frase de Alvo Dumbledore que dizia: “as pessoas que amamos nunca nos deixam de verdade, apenas partem antes de nós”, sabe que daqui a há muitos anos, espero eu, tornarei a encontrá-la, e ela estará sorrindo, reafirmando o que sempre me prometera: nunca me abandonar.
Todavia, se você acha Harry Potter somente livro para crianças, não crê em nenhuma religião e acredita que a vida está condicionada a nascer, crescer e morrer, informo que até mesmo sob a ótica cética a história da minha mãe teve um final feliz. Afinal, cientistas não duvidam das constelações. E se preferem considerar desse modo, digo que ela se tornou mais um ponto de luz na Via Láctea.
No meu ponto de vista, ela ainda vive. Vive em seus documentos, nas roupas que deixou, nas suas antigas anotações, no frasco do seu perfume favorito. Vive na voz de sua cantora favorita, nos versos da canção do Oasis, na minha tatuagem em francês no pé. Vive naquela estrela que sempre surge bem nítida próximo à janela do meu quarto, como se velasse meu sono toda noite. Pra mim, ela continua existindo nas pequenas coisas. E, principalmente, no meu coração.
Às vezes é como se ela ainda fizesse parte desse mundo. Lembro das coisas que fazia, das coisas que falava, dos lugares onde adorava ir. Se vejo algo que gostava, ainda me vem aquele impulso de chamá-la pra compartilhar a coincidência.
Lembro também de seu péssimo hábito de me encher de mimos na frente de estranhos. Nunca perdeu essa mania. Eu cansava de reclamar, desde pequena, com várias exclamações do tipo “me deixa,mãe!”, embora ela nunca me deixasse de fato.
Mas eu a amava, e ela entendia. Entendia que eu a amava de um jeito meio torto, desastrado, tímido, mas amava. Amor de verdade é assim mesmo. Não precisa ficar repetindo todo dia que ama, não precisa abraçar toda hora, não precisa encher a pessoa de mimos o tempo inteiro. Lá no fundo a gente sabe por quem o coração bate. Por quem ele bate e sobrevive.
Podem considerar isso como um argumento desgastado, mas eu sempre digo e sempre vou dizer que sua partida foi injusta. Não me parece sensato levar embora alguém que tinha tanta esperança na vida, mesmo nos dias mais ruins. Talvez o motivo mais contrário a sua perda seja exatamente esse: você adorava viver. Tinha fé nas pequenas coisas. Uma vez me confessou que se pudesse, largaria tudo pra viver em uma fazenda.
Eu sei, tem outras pessoas que se foram mas que não deveriam ter ido. O mundo tá cheio disso. Ou sem elas, na verdade.
Contudo, a gente precisa seguir em frente. Pela minha mãe e por todas as outras pessoas que queriam ter vivido mais tempo.
Te amo. Fique bem aí no céu, que eu me cuido daqui. Porque eu sei que você nunca vai me deixar. Como nos velhos tempos.
Não deve existir sensação pior que a insatisfação consigo mesma. Aquela vontade horrorosa de desistir e jogar tudo pro alto, porque nada mais parece ser bom o suficiente pra te fazer feliz ou pelo menos seguir em frente. É como se seu caminho tivesse parado de ser construído pela metade. Contudo, ao invés de colocar a mão na massa e continuar o trabalho, você apenas se senta na linha que demarca o final da estrada incompleta e solta um suspiro cansado.
Sei que ultimamente não tenho feito as coisas certas. Tenho deixado de acreditar na maioria das ideias e sentimentos que antes faziam algum sentido pra mim; as pessoas têm desgastado meu coração e minha boa vontade. Não é fácil. Nunca foi, mas no momento eu simplesmente não ando fazendo questão de retomar meu otimismo, ainda que sempre moderado, que é pra não machucar e nem sair machucada.Estou sem paciência. Sem paciência pra esperar que as coisas melhorem. Sem tolerância comigo mesma. De repente, fiquei com preguiça de mim.
Quero mudar, quero sentimentos e emoções novas. Mas continuo sentada no final da estrada, suspirando alto, as pernas e a mente se recusando tentarem algo novo. Embora seja bastante chato permanecer aqui, parece que meu corpo se acostumou a ficar dessa forma. De tanto que incomoda, já está confortável. Eu sei, não faz sentido, porém as coisas andam tendendo pra esse lado.
Se alguém souber a solução, por favor, diga-me logo, porque fica pior depois que o sol se põe. Me dê o apoio do seu braço, e eu levantarei.
E mandarei embora todos esses dias de sombra.
Hoje, por um completo acaso, a página do meu navegador foi redirecionada há um vídeo de um antigo DVD do McFLY, gravado na arena Wembley, onde Danny Jones,vocalista, canta ao vivo a música Not Alone. Os cabelos encarolados denunciavam: na época, ele deveria ter pouco mais que vinte anos.
Ver aquela cena, de alguma forma que ainda estou tentando entender, me comoveu bastante. Muito ao ponto de me faltar palavras. Confesso que escrevo com o maior esforço agora, tendo em vista uma onda de sentimentos explodindo em mim, como uma estrela supernova em ativa.
Pode ser que daqui há algumas horas eu veja esse texto e o considere simplesmente ridículo e mal elaborado. Pode ser que eu ache tudo isso o maior drama, e pense em deletá-lo antes de passar mais vergonha. Todavia, jamais duvidarei da sinceridade aqui transcrita, nem de todas essas emoções que no momento se mostram na mesma intensidade que fogos de artifício.
Chorei ao ver o clipe, do começo até toda a barrinha do Youtube ficar vermelha. Não sei explicar o porquê dessa reação, afinal não tenho mais 16 anos. Estou com 20 (quase 21), muito bem, obrigada. Termino meu curso de graduação ano que vem e não tenho mais tempo disponível como antes para alimentar sonhos. Afinal, a vida adulta é incompatível com sonhos adolescentes.
Mas olha, quando vi o Jones tocando gaita com tamanha empolgação e gritando aos quatro cantos que não estava sozinho, meus olhos embaçaram.
Lembrei dos meus 16. De escutar essa música no desktop do meu antigo quarto, na minha antiga casa, vendo meus antigos pôsteres. Lembrei das minhas camisetas com desenhos e frases engraçadas, de alugar Just My Luck toda sexta, depois do cursinho, só por causa do McFLY. A moça da locadora começou a achar estranho a partir da quarta vez seguida. Depois ela se acostumou.
Senti falta das vezes que cantava Transylvania alto no quarto, como se não existe um monte de escolhas e obrigações me esperando do lado de fora dele.
Acredito que quando realmente admiramos o trabalho artístico de alguém, isso se torna parte do que somos. Talvez tenha sido uma atitude estúpida ter chorado quando eles vieram pela primeira vez ao Brasil e eu, em plena fase pré-vestibular, não tenha ido vê-los. Contudo, naquela ocasião, Tom, Danny, Harry e Dougie eram uma parcela do que eu acreditava ser essencial pra mim.
Muita gente reclama de posers, de gente que mal sabe pronunciar Falling in love e já se diz fã.
Mas sabe de uma coisa?
Nem as posers me irritam mais, porque eu sei que eles merecem muito mais do que alguém que pesquisou a letra de Falling in Love no Vagalume e saiu cantando com bandana “I (HEART) MCFLY” na testa.
O McFLY pra mim está inserido em cada um desses episódios citados, e pouco importa se isso faz diferença na vida de outra pessoa ou não. Eu, na condição de pessoa singular, considero relevante, então quem são os outros pra dizer do que devo gostar?
Se uma menina acha que os caras só servem pra incluí-las na “moda”, problema dela. Tenho é pena de quem consegue ter um conceito tão vazio sobre uma banda tão sensacional.
Pouco importa se eles cortaram o cabelo,alisaram,mudaram a cor, casaram, ficaram noivos… o que importa ficou gravado na letra de todas as canções das quais lembro até hoje.
Portanto, não interessa se eles vão casar, se vão separar, se vão mudar o corte do cabelo, DESDE QUE CONTINUEM FAZENDO O QUE ELES SABEM DE MELHOR: MÚSICA.
Da sua fã,
Camila.

Hoje vi um grupo de crianças dar entrevistas no espaço de lazer do shopping. Todas sorriam, pulavam, não paravam quietas. Talvez a cena passasse despercebida - afinal crianças costumam esbanjar saúde e alegria-, mas a ausência de cabelos trazia à tona o diagnóstico cruel e inegável: aquelas, em especial, tinham câncer. Entretanto, pareciam não se importar com a realidade. Estavam todas ali, brincando com balões e tirando sarro umas das outras, como se a doença fosse algo totalmente secundário e sem importância durante suas breves vidas. Senti um incômodo na minha forma de pensar. Se essas crianças, mesmo doentes, permaneciam de bom humor, quem sou eu pra reclamar que o dia tá ruim, que o engarrafamento me estressa? Aliás, quem somos nós pra dizer que às vezes a vida não é justa ou que tudo é uma porcaria? De todo modo, não quero incentivar aqui somente a compaixão por essas crianças que já lutam pela vida quando nem sequer tiveram tempo de conhecê-la o suficiente. Espero que simples cenários como esse de hoje mudem efetivamente a nossa maneira de ver as coisas e, principalmente, nosso jeito de lidar com elas. Descobri que não tenho direito de reclamar da vida, pois aqueles que realmente o tem não o fazem, e ao contrário, desafiam a gravidade do problema enfrentado-o com um singelo ato de sorrir. Se pararmos um minuto que seja pra pensar, percebemos que a vida é mais simples do que imaginamos. Quer alguma coisa? Corra atrás. Não deu certo? Siga em frente. A vida te dá várias opções. Mude seus sonhos egoístas, seus gostos mesquinhos, sua maneira restrita de ver o mundo. Sorria sempre. Pois a lição mais importante que aprendi nessa tarde é exatamente essa: não leve a vida tão à sério :D
Passei pelo menos meia hora tentando começar a escrever. Sempre que iniciava a primeira frase, momentos ao seu lado me vinham em mente. Incapaz de abandonar todas essas lembranças, vacilei contra as lágrimas diversas vezes, resgatando situações que, infelizmente, agora só existem na minha memória.
Não é novidade a vontade imensa que tenho de voltar no tempo. Queria voltar pra aquele dia em que você colocou minha cabeça em seu colo e, enquanto alisava meu cabelo, dizia que tudo ia ficar bem.
Mas naquele momento quem precisava de suporte não era eu; os papéis haviam se invertido temporariamente. Era você quem estava frágil, com medo, e arrumando forças sabe-se lá onde tentava me preparar para as mudanças que estavam a caminho.
Recordo todos esses dias, desde o diagnóstico até o tratamento, como um exemplo de superação. Aliás, como a maior prova de superação que alguém pode ter na vida.
Me faltam palavras pra descrever aquele dia tortuoso da nossa despedida. E talvez o gesto de beijar sua mão tenha valido bem mais que qualquer discurso ou promessas. Cordialmente, aquilo significava que eu estava respeitando sua vontade de partir, de renunciar a todo sofrimento; não protestei. Você tinha todo o direito de deixar esse mundo, se quisesse. Seu corpo estava cansado de tantas agressões. Todo mundo tem seus limites. Até mesmo uma guerreira como você.
Não tenho religião definida, mas acredito que a vida não pode ser tratada como algo descartável. Que todos os momentos que passamos ao lado das pessoas que amamos simplesmente terminam quando fechamos nossos olhos. Por mais que eu seja racional, todo ser humano precisa ter seu lado com menos razão e mais amor. É isso que nos dá equilíbrio.
Sinto falta da sua companhia. Sinto falta das suas brincadeiras. Sinto falta do seu bom humor. Sinto até falta de suas broncas. Porque vai permanecer aquele vazio. Aquela sensação incômoda de que tem algo faltando.
Então tento pensar que, se as pessoas forem mesmo para o céu (ainda que isso soe infantil), sejam muito felizes por lá. Se realmente existir reencarnação, torço pra que outros tenham a oportunidade de conhecê-la, e aproveitem cada precioso segundo ao seu lado. Tomara que você possa ensinar as coisas que me ensinou, que seja capaz de fazê-los tão felizes quanto eu fui. Aliás, a palavra felicidade é um resumo de tudo que você trouxe pra minha vida.
Me lembro que, enquanto estava digerindo a amarga notícia e me questionando sobre o que fazer a partir de então, olhei para o lado de fora da janela. Era hora do pôr-do-sol. Não deveria ser um cenário tão bonito; o céu deveria estar coberto por uma névoa cinza ou caindo uma tempestade. Mas fazia Sol. E eu não podia alterar o tempo, muito menos as circunstâncias. Ambos estavam fora do meu alcance.
A impressão que temos é esta: a vida funciona em um campo fora do nosso controle. Por vezes insisto na ideia de que devemos correr atrás dos nossos objetivos se quisermos vê-los se realizar, mas nem sempre a vida nos obedece. É como se estivéssemos submersos em meio a um rio de correnteza forte e veloz. Não importa o quão você nade no sentido contrário pra chegar à margem, haverá constantemente algo te empurrando pra longe.
Em parte, é assim que eu me sentia. Tentando nadar contra a correnteza. Eu não podia te salvar. Incapaz de mantê-la por perto mais tempo, beijei sua mão, dizendo: “Pode ir em paz.”

Você tem o dom de lidar com pessoas complicadas, eu não.
Eu sou uma das pessoas complicadas que você precisa lidar.
Então embora queira muito, e defenda com unhas e dentes essa ideia fixa de simplificar a vida, não consigo simplificar tanto os sentimentos quanto deveria.
Sentimentos não fazem parte da área de exatas, mas deveriam…deveria existir uma fórmula tanto pra gostar quanto deixar de gostar de alguém.
Contudo, a vida tá aí pra mostrar que até as construções bem elaboradas estão sujeitas a desabar.
E eu aqui querendo uma chance de permanecer em pé.
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Tô tentando encontrar alguma coisa para falar para você depois disso. É que sua dor me lembrou tanto a minha dor e eu me lembrei...
Dream places: Spain.
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- Mas, elas são legais ou meio trouxas?
- Meio trouxas.
-...